Uma política para o uso e ensino do idioma português

No portal do Museu da Língua Portuguesa, há uma importante coletânea de textos que podem interessar aos que amam o idioma e querem usá-lo com maior discernimento. Como exemplo, queiram conhecer Uma política linguística para o português, de Ataliba T. Castilho.

Na apresentação do texto, diz-se que “política costuma ser um tema ligado a partidos, deputados e ministros; no entanto, a linguística possui sua própria política, bem diferente daquela conhecida em Brasília” (referência feita à Capital do Brasil).

Na sua exposição, o autor se propõe a fazer uma definição do que seja ‘política linguística’. A proposta de definição inicia-se com as seguintes perguntas:

  • O que é política linguística?
  • Qual é a dimensão internacional da Língua Portuguesa?
  • Como tem sido a documentação e o estudo da Língua Portuguesa no Brasil, em Portugal e na África?
  • Que ações governamentais são tomadas com respeito à língua portuguesa?
  • Que tem feito o Estado brasileiro com respeito ao ensino da Língua Portuguesa?
  • Como são tratadas as minorias linguísticas?
  • Quais são as relações entre o português e o espanhol na América Latina?

Depois de esboçar suas primeiras respostas, Ataliba T. Castilho aprofunda uma série de questões sobre:

  • A língua oficial do Estado e sua gestão
  • Gestão das comunidades bilíngues e plurilíngues
  • Gestão das minorias linguísticas
  • O Estado e o ensino da Língua Portuguesa como língua materna
  • A atuação das universidades nas questões do ensino do Português
  • O Estado e o ensino das línguas estrangeiras

Seu texto, arguto e bem informado, pretende ser um convite ao debate, conquanto nele defenda de forma vigorosa seus pontos de vista como no seguinte seguimento (adaptado à nova ortografia):

Cinco países africanos escolheram o português como sua língua oficial, depois das guerras  de independência: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e  Príncipe. Mais recentemente, Timor Leste somou-se a esse grupo, como a mais nova nação  democrática do mundo. Nova e heroica, pois resistiu à Indonésia e à Austrália ao adotar o Português como sua língua oficial.

Organismos internacionais adiante mencionados têm debatido algumas políticas comuns que poderiam ser estabelecidas para os países de língua oficial portuguesa, respeitadas as diferenças regionais.

Relativamente à identificação do padrão linguístico, simplificando bastante as coisas, pode-se reconhecer que passamos no Brasil por duas fases.

Até a primeira metade do século passado, moções aprovadas em congressos apontaram uma variedade regional, o falar carioca, como o padrão do Português Brasileiro. Essa variedade passou a ser utilizada na preparação de livros didáticos por professores do Rio de Janeiro, impressos por editoras localizadas em sua maioria na mesma cidade. Não deu certo, pois a ideia não contava com fundamento empírico. Nunca se comprovou que as classes cultas brasileiras falavam como seus homólogos cariocas, nem que passassem a falar como tal. Aprendeu-se que em matéria de política linguística uma legislação mesmo que informal não molda a realidade.

Com o desenvolvimento da pesquisa linguística, surgiram a partir dos anos 70 projetos coletivos de descrição da variedade brasileira do Português. Ao descrever a realidade dos usos linguísticos cuidadosamente documentados, confirmou-se a hipótese de Nelson Rossi sobre o policentrismo do padrão linguístico, nucleado no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul: Rossi (1968). Surgiram aí padrões marcados por escolhas fonéticas e léxicas que se não complicam a intercomunicação, pelo menos não escondem os diferentes modos de falar dos brasileiros cultos, objeto de consideração nas escolas.

Impossível, em suma, escolher uma variedade regional e considerá-la o padrão do Português Brasileiro. Impossível, também, comprovar que esse padrão esteja documentado na língua literária. Há um padrão da língua falada, que corresponde aos usos linguísticos das pessoas cultas. Há um padrão da língua escrita, que corresponde aos usos linguísticos dos jornais e revistas de grande circulação, os únicos textos que garantidamente estão ao  alcance da população. Ambos os padrões apresentam as variações linguísticas comuns às sociedades complexas.

Já a língua literária é outra coisa, pois assenta num projeto estético que impulsiona os autores a, justamente, distanciar-se da escrita do dia-a-dia, buscando um veio próprio, singular, diferenciado, não-padrão. Sempre achei um desrespeito tratar os grandes escritores como meros fornecedores de regras de bom Português para uso das escolas. Como diríamos coloquialmente, os escritores “estão em outra”, para sorte de seus leitores.

De todo modo, a atitude brasileira tem sido mais equilibrada do que a de nossos vizinhos hispano-americanos, em matéria de seleção do chamado “uso bom”. Lembre-se que em 1870 a Real Academia de la Lengua Española propôs às suas antigas colônias da América a organização de academias correspondentes, para centralizar a “legislação linguística”, vale dizer, o direito de legitimar o “bom espanhol”. É embaraçoso constatar que, com maior ou menor velocidade, os países hispano-americanos aderiram a essa proposta: a Colômbia em 1871, o Equador em 1874, o México em 1875, a Venezuela em 1884, o Chile em 1886, o Peru em 1887, a Guatemala em 1888 e a Argentina em 1931: Calvet (2001). Verdade, também, que novas tendências iluminam hoje os linguistas hispano-americanos, cuja agenda ultrapassou felizmente os propósitos então unificadores da RAE.

Após oferecer suas conclusões, o estudioso elenca alguns tópicos para que os aprofundemos, seja a partir de sua ótica, seja buscando outras óticas, seja considerando cada tema crucial de acordo com a nossa ótica caso já a tenhamos alcançado:

  • O que é padrão linguístico, ou norma culta
  • Quem determina qual é a melhor forma de escrever e falar em português?
  • É verdade que em determinadas regiões se fala português melhor que em outras?”
  • O que é uma minoria linguística?
  • Há minorias linguísticas no Brasil?
  • Que rumos o ensino do português tem tomado no que diz respeito à alfabetização, leitura, redação e gramática?

O texto está disponível para download e ser lido na íntegra nesta página:

http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/colunas_interna.php?id_coluna=17

Nova ortografia intenta unificar escrita e promover o português globalmente

Desde 1990 foi assinado um acordo para unificar a escrita do português, em qualquer de suas vertentes, europeia, sul-americana, africana e asiática. No entanto, dois protocolos modificativos sobrevieram, alterando a sua entrada em vigência, e relativizando a abrangência de sua aplicação no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa-CPLP, formada por oito Estados-Membros.

Em 1998, havia previsão de que as novas regras valeriam somente após a ratificação do acordo e seu depósito legal, sem prazo assinalado, por parte de todos os Estados integrantes da comunidade, sem exceção. A falta de prazo inibiu os acontecimentos. A partir de 2004, ganhou, enfim, condições de efetividade ou de implementação, porque passou a prescindir de aplicação unânime, desde que adotado por três dentre os países membros da comunidade. Quatro anos depois disso, Portugal se somou ao Brasil, Cabo Verde, e São Tomé e Príncipe, que foram os primeiros a aderir ao segundo protocolo modificativo.

Nos quatro países, do momento em diante em que se deu a ratificação definitiva do acordo, haverá um tempo de moratória para a sua aplicação obrigatória: nesse entretempo será admissível a coexistência da nova e da anterior ortografias.  É o tempo de que necessitarão, por exemplo, as escolas, para adaptar seus sistemas de ensino às novas regras, começar e, por fim, incrementar a aprendizagem em completa escala. É o tempo de que precisarão todos os usuários para se acostumar às modificações mais difíceis, ou de que se valerão jornais e a indústria editorial em geral para adequar e uniformizar paulatinamente suas publicações.

Em Portugal, foi definida uma moratória de seis anos, a contar de 2009. Seu Ministério da Educação já anunciou que a partir do ano letivo 2011/2012 a aprendizagem da escrita e da leitura se dará unicamente pela nova ortografia, mas apenas após o sexto ano da moratória o conteúdo do acordo se tornará obrigatório. No Brasil, a contar do ano passado as alterações na ortografia começaram a conviver com a anterior – e as modificações serão obrigatórias antes de Portugal, em 1º. de janeiro de 2013.

Mesmo que a unificação da escrita não se dê no conjunto dos países da CPLP, a iniciativa inegavelmente facilitará o intercâmbio entre os cidadãos dos países signatários do acordo, e representará um grande passo para intensificar a promoção do idioma no mundo.

De todo modo, o acordo, que já atravessa duas décadas – desde quando foi primeiramente proposto – e só agora encontra condições de entrar em vigência nos quatro citados países, necessariamente passará em algum momento por ajustes.

A crítica ou preocupação mais “política”, segundo conotação trazida pelo Ministério da Cultura de Portugal, traduz-se na falta, a despeito de se falar em “acordo ortográfico”, de justamente um vocabulário ortográfico comum entre os países signatários, ou um vocabulário publicado em conjunto, a par, naturalmente, dos vocabulários de uso mais localizado.

José Mario Costa, diretor do portal Ciberdúvidas (da Língua Portuguesa), localizado em Portugal, afirmou no ano passado em matéria do jornal brasileiro Folha de São Paulo, que o Brasil precipitou-se. Não criou, por exemplo, estruturas comuns com os portugueses para resolver uma série de casos abertos ou omissos, ou seja, para lidar com casos imprevistos ou não resolvidos pelo atual acordo ortográfico.

Na mesma matéria, o linguista João Malaca Casteleiro, responsável pela discussão do acordo pelo lado de Portugal, afirmara que o ideal teria sido a implementação simultânea das reformas ortográficas, e lastimava que isso não se dera no âmbito da CPLP porque esta elegera como central a política de disseminação e valorização comum da língua. Como se pode promover a língua sem resolver problemas de divergências ortográficas que mesmo ante o acordo ficam pendentes?

De fato, há vários “desacordos” ortográficos cuja resolução não pode ser instrumentalizada ou inferida do conjunto de regras do acordo ratificado entre os quatro países até este momento subscritores.

Antes de se defrontar com essas dúvidas não sanadas, matéria-prima para a discussão de numerosos linguistas nos próximos anos, convém aclarar que no geral as modificações às regras anteriormente estabelecidas vêm sendo adotadas sem sobressaltos.

Pela internet, alguns sites se prestam a auxiliar na adoção da nova grafia. No Brasil, em umportuguês.com aprende-se escrevendo. Vale a pena começar pelo texto de exemplo lá disponibilizado após um clique. O site também distribui, em seções próprias, tema por tema, os destaques do acordo ortográfico. Além disso, relaciona as dúvidas mais difíceis, ou seja, sobre as quais até agora não se chegou a qualquer “acordo”, oferecendo importante informação. Pelo site, ainda é tornado acessível o inteiro teor das atuais reformas ortográficas.

http://umportugues.com/

Se quiser conhecer um rápido e bem efetuado resumo das novas regras, descarregue o arquivo pdf do dicionário brasileiro Aulete, clicando aqui: (http://aulete.uol.com.br/acordo/regras_simplificadas.pdf)

Esse dicionário brasileiro, editado pela Lexicon, pode ser consultada grátis e online, desde um pequeno aplicativo que pode ser instalado no computador através do menu de download, já vem sendo adaptado à nova grafia:

http://www.auletedigital.com.br/

Outro excelente dicionário para ser consultado online, e no qual coexistem as opções de busca pelas duas ortografias, a nova e a anterior, é o Priberam, de Portugal:

http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx

Também em Portugal, o portal aeiou.visão ajuda a se situar ante as novas regras, exibindo um guia prático:

http://aeiou.visao.pt/guia-pratico-para-perceber-o-acordo-ortografico=f543282

Ainda em Portugal, onde o acordo, como se deduz mais acima, suscitou resistências, críticas e preocupações (que não encontraram veemência correspondente no Brasil), o portal sapo criou páginas especiais para a discussão e o aprofundamento sobre a nova ortografia, a exemplo desta:

http://orto.no.sapo.pt/c00.htm

Igualmente no país europeu, através do seu portal da Língua Portuguesa, conheça o projeto e faça buscas no seu Vocabulário Ortográfico em conformidade com as novas regras:

http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=vop

No Brasil, faça o mesmo com o Vocabulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras:

http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23

 

Aprenda português pela web

Um dos melhores espaços para aprender  o idioma através da web é a seção Aprender do Centro Virtual Camões, mais uma das primorosas iniciativas educacionais do Instituto Camões, de Portugal. Os recursos são variados e concebidos para apoiar a aprendizagem da língua em suas vertentes oral e escrita. Há ainda uma seção lúdica, na modalidade “aprenda brincando”, com jogos e muita diversão em matéria de expressão verbal.

http://cvc.instituto-camoes.pt/aprender-portugues.html

Outra opção contém a assinatura e uma coleção de imperdíveis lições do professor brasileiro Pasquale Cipro Neto. Trata-se da seção Nossa Língua Portuguesa, uma das ramificações do Alô Escola, portal educacional da TV Cultura, de São Paulo, que reúne material do magistral programa televisivo do professor Pasquale.

http://www.tvcultura.com.br/aloescola/linguaportuguesa/

Num dos maiores portais da web brasileira, navegue pelo site da revista Língua Portuguesa, publicada pela Editora Escala. Os textos dão conta de questões que ampliam o conhecimento prático e o senso crítico sobre o uso do idioma. São ideais para aprendizes que queiram adquirir uma maior consciência e domínio da linguagem e ao mesmo tempo são destinados para professores antenados e ávidos por novas metodologias de ensino.  Para conhecer bem como o conteúdo é oferecido online, depois de visitar a página principal, acesse, através do menu Seções, os seguinte itens: Capa, Reportagens, Etimologia, Gramática Tradicional, Ensino, Estante e Retratos.

http://linguaportuguesa.uol.com.br/linguaportuguesa/

Além de franquear acesso ao conteúdo dessa revista, o portal Uol tem seção própria voltada para a Educação. Conheça, nela, por exemplo, um ótimo resumo do professor Jorge Viana de Moraes sobre  Características dos verbos regulares e irregulares. A par desse texto, veja que a seção contém  incontáveis dossiês com matérias variadíssimas sobre a língua, distribuídos também de acordo com os níveis de ensino-aprendizagem “Fundamental” e “Médio”. Os dossiês podem ser acessados, através de um índice em ordem alfabética, que aparece depois de clicar no menu logo acima de cada um dos textos disponibilizados. Há, além disso, dicionário para consultar online em cada página.

http://educacao.uol.com.br/portugues/verbos-caracteristicas.jhtm

Se para você o que mais importa é exercitar a conjugação de verbos, na variante do idioma falada em Portugal experimente os ‘exercícios interactivos’ do professor Vaz Nunes, e sinta-se fazendo um estudo acompanhado, avaliado passo a passo.

http://web.educom.pt/pr1305/lp.verbos_hotpot.htm

Também, como o anterior link, a partir da variante europeia do idioma, vale frequentar o portal Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, isto se você for um usuário bem versado na língua, ávido por enfrentar e sanar qualquer dúvida,  independente do grau de complexidade que represente. Dentre outros patrocínios, o portal é apoiado pelo Ministério da Educação de Portugal.

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http://www.ciberduvidas.com/

Descobriu ou conhece algum outro site ou portal instigante para a aprendizagem do idioma? Compartilhe sua descoberta ou conhecimento indicando-nos o link em comentário a este post!

No Brasil, agora todo ano é ano de Olimpíada de Português

Eis um concurso pelo qual se fomenta a criatividade e o exercício da escrita, escolhendo-se as melhores performances escolares na expressão do idioma em gêneros como poesia, memórias literárias e crônicas. Uma de suas principais finalidades é contribuir para que as escolas e seus professores revejam ou renovem seus métodos, dinamizando a aprendizagem e o desenvolvimento da escrita de seus alunos.

Desde 2002 até 2006 em edições bienais, e depois disso anualmente, é realizada a Olimpíada da Língua Portuguesa.  A princípio, surgiu como iniciativa da Fundação Itaú Social.  A partir de 2008, tornou-se política pública governamental, apoiada com a estrutura do Ministério da Educação. No momento, valorizando a sua origem, é promovida conjuntamente por essa fundação e por esse ministério, constituindo-se numa parceria exemplar entre setor público e uma instituição privada.

Soltando o verbo e atingindo a meta, os atletas (alunos e seus professores) ganham prêmios. Os vencedores principais, que alcançarem as melhores colocações, além de receberem um computador cada, obtêm como láurea para a sua escola a doação de uma dezena de computadores,  uma impressora e uma coleção substancial de livros para a biblioteca.

Quer saber como e quando acontece, como veio sendo ao longo dos anos? Quer assegurar uma vaga no pódio e ainda não sabe como participar? Visite os links a seguir:

http://ww2.itau.com.br/itausocial/olimpiadas2010/web/site/


http://olimpiadadelinguaportuguesa.mec.gov.br/olimpiada

Um museu vivo e interativo para a língua portuguesa

‘Menas’ foi uma exposição multimídia dentre as mais destacadas
realizadas pelo Museu da Língua Portuguesa.

Em parte da Estação da Luz, prédio que é um marco arquitetônico e emblemático do tempo em que os trens imperavam como principal meio de transporte no país, está instalado o Museu da Língua Portuguesa, justamente na cidade que concentra a maior aglomeração de falantes do idioma no mundo, em São Paulo, no Brasil –  por volta de 11 milhões.

 

algumas tomadas da Estação da Luz

Criação recente, surgido em 2006, passou a irradiar novas luzes sobre o conceito de museu, mediante o uso de tecnologias de ponta, de recursos interativos e de mídias variadas, que além de valorizarem o legado da língua escrita, primam por festejar a oralidade do idioma, com exposições multimídias aliando a palavra ou o verbo ao universo das artes visuais e audiovisuais.

O museu destina-se a revelar a língua como elemento fundador da cultura, mostrando suas origens, história e influências, a aproximar os usuários da língua enquanto “proprietários” do idioma e seu agente modificador, e a valorizar a diversidade da cultura brasileira. O museu promove também o intercâmbio entre os países que empregam o português, realiza cursos, palestras e seminários sobre o uso do idioma e estudos em linguística, parte deles dedicado a temas que transcendem fronteiras.

Em sua página na web, a par de conhecer como se pode visitá-lo e aproveitá-lo, elegendo exposições temporárias dentro de sua programação, há um ótimo noticiário sobre o que acontece na instituição, e sobre fatos e personalidades marcantes do universo da língua.

Na seção Textos, há uma importante coletânea de estudos que tratam desde análise do discurso, linguística textual, problemática do ensino da língua como idioma materno e não-materno, discussão das técnicas redacionais de correlação entre orações por coordenação e subordinação, investigação sobre como nascem e morrem as línguas e sobre famílias linguísticas, a origem de nossa língua, sua estrutura, comparação entre o português da América e o de Portugal com outras línguas, reflexões sobre como estudar e aprender o idioma, a validade dos conceitos de certo e errado no emprego do idioma, o valor da variação linguística, até a tentativa de explicitar o que significaria uma política linguística para o português. Assinando os textos desfilam nomes de estudiosos gabaritados, a exemplo de Ataliba T. de Castilho, Mary A. Kato, Rosa Virgínia Mattos e Silva e Rodolfo Ilari.

 

Saiba mais sobre como foi Menas, uma da mais instigantes exposições do Museu da Língua Portuguesa, a partir de um vídeo da revista Nova Escola pelo YouTube:

Encontre mais links dentre os melhores sobre o idioma no site da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)

……………………………………………………
E deixa os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”
…………………………………..

(Caetano Veloso, em “Língua”,
canção integrante do álbum Velô)


Última Flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amo-te assim, descuidada e obscura.
Tuba de alto canglor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
…………………………………………….

(Olavo Bilac, fragmento do poema
“Língua”, em Poesias)


Não chóro por nada que a vida traga ou leve. Há porém paginas de prosa me teem feito chorar. Lembro-me, como do que estou vendo, da noute em que, ainda creança, li pela primeira vez numa selecta, o passo celebre de Vieira sobre o Rei Salomão, “Fabricou Salomão um palacio…” E fui lendo, até ao fim, tremulo, confuso; depois rompi em lagrimas felizes, como nenhuma felicidade real me fará chorar, como nenhuma tristeza da vida me fará imitar. Aquelle movimento hieratico da nossa clara lingua majestosa, aquelle exprimir das idéas nas palavras inevitaveis, correr de agua porque ha declive, aquelle assombro vocalico em que os sons são cores ideaes – tudo isso me toldou de instincto como uma grande emoção politica. E, disse, chorei; hoje, relembrando, ainda chóro. Não é – não – a saudade da infancia, de que não tenho saudades: é a saudade da emoção d’aquelle momento, a magua de não poder já ler pela primeira vez aquella grande certeza symphonica.

Não tenho sentimento nenhum politico ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriotico. Minha patria é a lingua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incommodassem pessoalmente…

(Declaração, na ortografia da época em que viveu, feita pelo poeta Fernando Pessoa)


A civilização que vicejou na península ibérica, a partir de Portugual, difundiu-se geograficamente, impulsionando-se para a África, América do Sul e Ásia, e deixou marcas profundas principalmente em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste, onde o português é o idioma – em suas variantes locais – oficial.

Todos esses países vinham se reunindo desde 1989 com o objetivo de institucionalizar uma comunidade de nações dedicada não somente à difusão e valorização do idioma como também à cooperação internacional sobretudo nas áreas social, cultural e econômica. A Comunidade foi, enfim, criada, com sede inicial na capital portuguesa, em Lisboa.

Ela é constituída pela Conferência de Chefes de Estado e do Governo, Conselho de Ministros, Comitê de Concertação Permanente e Secretariado Executivo. Seu órgão máximo, a Conferência, se reúne periodicamente, no intervalo de dois anos. A última, ou oitava Conferência, ocorreu em Luanda, capital de Angola, em 23 de julho de 2010.

Os passos desse organismo multilateral podem ser acompanhados pela web no site da CPLP. Ao clicar no menu Plataformas, no cabeçalho da página, é possível acompanhar ou se informar sobre ações envolvendo desde a sua administração interna, até toda uma série de questões de interesse transnacional, relacionadas, para exemplificar algumas, com Cultura, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, Correios e Telecomunicações, Desporto, Educação, Saúde, Migrações, Segurança e Defesa.

Dentre outras iniciativas de relevo, a CPLP, em parceria com a Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP), concebeu o Prêmio Fernão Mendes Pinto, que destaca anualmente uma tese de mestrado ou doutoramento que contribua para a aproximação entre as mais diversas comunidades de falantes do idioma.

http://www.cplp.org/

No site da Comunidade há uma seleção das principais organizações e serviços de referência, espalhados pelo mundo, em matéria de promoção e difusão do idioma e culturas em português, como é o caso do Instituto Camões.

O Instituto Camões difunde o idioma e culturas em português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão resaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
………………………………………..

(Fernando Pessoa, “Mar Portuguez”,
décimo poema em Mensagem,
fragmento com a ortografia original do poeta)

Dentre as grandes “empresas ultramarinas”, como as empreendidas sobretudo pelos espanhóis e portugueses (seguidas, e patrocinadas, em gigantesca medida pelos ingleses, e em menor amplitude pelos holandeses), que há cinco séculos propiciou um encontro ou choque entre povos em escala planetária, redundando na colonização européia das Américas, parte da África e Ásia, e de várias ilhas e da Austrália na Oceania, nenhuma delas deixou cristalizado – na tessitura literária de uma língua e no imaginário moderno que conflui barco e mar com o propósito de refundação de uma nação – um nome que supere o de Camões e desbanque a sua epopéia Os Lusíadas. Justamente por isso seu nome foi dado ao instituto criado por Portugal, integrado à estrutura do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país, com a missão de promover mundialmente a cultura expressada no idioma tido como a “última flor do Lácio”, ou seja, derradeiro dos rebentos do Latim.

Pelo site do Instituto Camões,  vê-se que a missão, além de bem materializada via web, é realizada mediante a manutenção de centros culturais e centros específicos para o ensino da língua espalhados em vários continentes, a adoção de redes internacionais de docência, a celebração de acordos culturais entre várias nações, a concessão de bolsas de estudo inclusive a cidadãos estrangeiros dedicados à lusofonia, o fomento à edição de traduções para outros idiomas de obras originalmente criadas ou publicadas em língua portuguesa, e a publicação da Revista Camões (também disponibilizada digitalmente), cuja editoração, iniciada em 1998, encontra-se interrompida com o número 19, saído em 2006.

Já foram temas da prestigiosa revista, que é acompanhada de resumos em inglês, francês e espanhol, após o número inaugural dedicado à lusofonia (investigação das identidades entre países, regiões, cidades, comunidades e pessoas falantes do português), a Revolução dos Cravos (marco da história recente de Portugual, por ocasião dos 25 anos do 25 de abril, em 1999), a personalidade e obra de José Saramago (assim que o escritor foi  laureado com o Nobel  em 1998), outras figuras ímpares da cultura e história portuguesa como o prosador Eça de Queirós, o cineasta Manoel de Oliveira e o governante Marquês de Pombal (cuja política teve crucial influxo no Brasil durante o período colonial, a exemplo de na  adoção obrigatória e única da língua portuguesa no meio educacional,  em lugar da mescla desta com idiomas nativos que era o modelo adotado pelos jesuítas). A publicação também abriu espaço para o boom da literatura hispano-americana nos Estados Unidos, e ainda para o significado e a magnitude da obra literária de brasileiros como Lygia Fagundes Telles e Carlos Drummond.  Chegou também a discutir o intercâmbio artístico em outras áreas, a exemplo de na arquitetura e no teatro, entre países de fala portuguesa. E ainda se dedicou a traçar um painel das relações especiais que Portugal manteve com o Marrocos.

A par da disponibilização no site do instituto de quase duas dezenas de exemplares dessa prestigiosa revista,  outros pontos altos desse espaço na web são o oferecimento de um noticiário vasto, diversificado (atualizado várias vezes mês a mês, acessável a princípio através de amostra com destaques exibida na própria página de abertura, ou em boxs de links logo abaixo, igualmente por meio da seção Encarte JL, após clicar em Edição na barra lateral à esquerda, ou pelo menu Notícias no cabeçalho) e a implementação do Centro Virtual Camões.

O instituto surgiu em 1992, é herdeiro de um legado de instituições anteriormente ciradas com objetivos afins, a primeira surgida desde 1929.  Continua sendo a principal organização atuante na promoção mundial do idioma. Produz de modo continuado, também via web,  uma diversidade impressionante de contéudos culturais e educacionais de qualidade. O conteúdo é concebido tanto para ser apreciado online quanto para ser obtido em formato digital e desfrutado desconectado. Encontra-se reunido no Centro Virtual Camões, aninhado no proprio site ou portal do instituto, onde pode ser consultado também por meio de biblioteca digital subdividida em áreas específicas do conhecimento para facilitar a pesquisa.

Através do Centro Virtual Camões, cujo ingresso pode ser feito na própria página inicial do site do instituto, é possíbel obter , indo, pois, até a biblioteca –  dentre amplo acervo de obras capitais para a compreensão da língua e cultura portuguesas –,  um exemplar digital da republicação de Os Lusíadas, contemplada com leitura, prefácio e notas de Álvaro Júlio da Costa Pimpão, e apresentada por Aníbal Pinto de Castro.  A edição se constitui na melhor ajuda especializada para penetrar na epopéia e fruir com conhecimento afiado o rumor da língua de uma civilização ibérica no momento em que se projetava  para deixar suas marcas nas culturas principalmente de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe,  e Timor-Leste, países nos quais o idioma, em suas variantes locais, atualmente é o oficial.

Para quem ainda não se aventura em grandes viagens pelo oceano da literatura,  mas deseja ficar na crista das ondas desses mares dantes visitados por Camões, poderá ser instigante conhecer previamente a série de 12 poemas com os quais o poeta Fernando Pessoa, no livro Mensagem (obra de domínio público, de franco e farto acesso pela internet), retomou no século passado o tema das navegações portuguesas, isto é,  da grandeza ansiada por uma nação lançada às águas.

Como proveitoso exemplo do conteúdo produzido pelo instituto e oferecido através do seu Centro Virtual Camões, é imperdível conferir sua História da Língua Portuguesa em linha.

Instituto Camões - Portugal

http://www.instituto-camoes.pt/

história da língua portuguesa em linha

http://cvc.instituto-camoes.pt/hlp/index1.html

Alguns outros dentre os principais sites de organizações e de serviços de referência em matéria do idioma e culturas em português a conhecer através deste blog são os da Biblioteca Nacional Digital de Portugual, da Biblioteca Nacional Digital do Brasil, do Museu da Língua Portuguesa, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.


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